Será que somos personagens de um livro?

Será que o que estamos vivendo é apenas uma leitura de um livro do qual fazemos parte? Qual será o sentido de tudo que existe ao nosso redor? Todas as demonstrações de amor, ódio, carinho; qual a finalidade de tudo isso?

Essas são apenas algumas das inúmeras perguntas que me faço rotineiramente com relação à nossa existência. Uma das ideias que venho considerando bastante é a de que somos personagens de um livro e que tudo que vivemos, sentimos, pensamos e falamos, são apenas o resultado da leitura de um livro, que está sendo feita nesse exato momento. Poderíamos provar que isso não é verdade?

Crise existencial

Quando esse pensamento surgiu pela primeira vez na minha cabeça, confesso que me senti bastante desconfortável. Ocorreu durante a leitura de um livro sobre filosofia. Foi um momento de crise existencial em seu mais nítido significado ─ levando em conta que uma crise existencial pode resultar da “quebra do sentido da realidade ou de como o mundo é”. E isso era exatamente o que estava acontecendo na minha cabeça naquele instante. Eu simplesmente comecei a imaginar que tudo que eu estava pensando, falando e ouvindo estava acontecendo exatamente do jeito que tinha que acontecer, porque era assim que estava escrito. Foi extremamente desconfortável, e os meus conceitos de indivíduo partiram para bem longe de mim. Mas será que não é isso que de fato acontece?

Bom, eu, como indivíduo que acredito que sou, não sei se conseguiria responder essa pergunta de forma convincente. Por mais que achemos que temos nossa individualidade, tudo isso pode ser apenas a história de um livro. Um livro que foi muito bem escrito ou muito mal escrito, dependendo da maneira que cada um se encontra nessa história.

É claro que existem muitos questionamentos em torno dessa hipótese. No entanto, até o momento não vi nenhum que seja tão pertinente a ponto de tornar essa possibilidade descartável. Na verdade, só o conceito dessa ideia já é motivo de descarte para a maioria das pessoas. Mas, como o autor desse livro que faço parte foi generoso comigo e fez com que minha personalidade fosse de um questionador lunático, eu passo meus dias considerando essas hipóteses. E o mais legal de tudo é saber que não sou o único passageiro desse barco.


Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.

Site Footer