RESENHA: O Senhor das Moscas, de William Golding

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RESENHA: O Senhor das Moscas, de William Golding

Manlei Santeoni
Escrito por Manlei Santeoni em 14/01/2020
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Escrever uma resenha sobre O Senhor das Moscas não foi uma tarefa nada fácil. Principalmente porque a minha interpretação do livro foi muito diferente do que a maioria dos leitores expressou.

Por isso, decidi passar essa resenha na frente de inúmeras outras que ainda tenho que escrever. Vamos lá!

ALERTA DE SPOILER

Esses são os pontos que comentarei aqui:

  • O enredo
  • Arco de personagem
  • As mortes
  • Espelhos da sociedade
  • Experiência de leitura
  • Sobre a escrita
  • Considerações finais

RESENHA: O Senhor das Moscas ─ Enredo

As minhas primeiras impressões sobre o livro foram neutras. Eu não fiquei surpreso nem decepcionado.

Antes de começar a leitura eu havia lido inúmeras avaliaões e recomendações do livro. Imaginei que seria uma leitura formidável, que me deixaria maravilhado desde as primeiras páginas.

Mas não foi isso que aconteceu.

O início do livro foi meio lento para mim. Consegui imaginar o cenário tranquilamente, de início; mas depois isso se tornou um problema.

As descrições de ambiente me confundiram muitas vezes durante a leitura. E isso fez com que o livro se tornasse maçante, depois de certo ponto.

Muitas vezes não consegui imaginar claramente o cenário descrito pelo autor.

Igualmente, a falta de um enredo consistente contribuiu para o meu tédio. Ao menos essa foi a minha impressão: um livro com um enredo mediano.

Você pode até discordar, mencionando que desde o início fica claro que o objetivo deles era sair da ilha. No entanto, para mim, isso não foi suficiente.

Eu ficava sempre com a sensação de “Tá, mas e aí?“, no sentindo de falta de propósito.

Muitas cenas não fizeram sentido para mim, principalmente porque não avançavam em nada a história.

E meu tédio só aumentava.

De todo jeito, devo admitir que o livro começa a ficar um pouco interessante depois que o grupo de Jack se separa do geral, depois da metade do livro. Percebi que minha curiosidade sobre os eventos seguintes aumentou, e minha leitura acelerou um pouco.

Mas não foi nada de mais.

As mortes

Quando se trata das mortes, para mim foram triviais. Na morte de Porquinho, por exemplo, a minha pergunta foi: ” Por quê?”.

Na minha interpretação, as mortes foram pensadas para causar impacto na leitura, e talvez para adicionar um pouco de violência de verdade. Porém, em mim só causou a sensação de falta de sentido.

Com isso não quero dizer que uma morte precisa fazer sentido. Mas a construção delas no livro deixou a desejar, e me causou frustração.

E o final

Tratando-se do final do livro, realmente foi algo que eu não esperava. Quando as últimas páginas se aproximavam, uma grande exclamação se firmou na minha cabeça.

Como isso vai terminar? E tudo aconteceu como aconteceu ─ e de maneira muito conveniente, se vale mencionar.

Eu já imaginava uma sensação de consternação no final do livro, mas até isso foi tirado de mim.

Imaginei que os meninos ficariam na ilha até o fim dos dias, ou que levaria muito mais tempo para serem salvos.


RESENHA: O Senhor das Moscas ─ Arco de personagem

Nesse quesito o livro também deixou a desejar, principalmente tratando-se de Ralph.

Eu imaginei diferentes desenvolvimentos para ele, mas nenhum aconteceu. Pensei que sua empatia por Porquinho talvez aumentasse ─ apesar de isso ter sido levemente sugerido ─, mas não aconteceu.

A aproximação de Ralph com Porquinho não soou como algo genuíno. Pareceu mais um apego de última hora, quando você se encontra no fundo do poço e aquela pessoa pode te ajudar a sair dele, de alguma forma.

E o arco de Jack foi previsível, mas apropriado, tirando a parte de sua apatia.

Considerando que no livro ele ─ Jack ─ é uma criança, sua reação às mortes pareceu um pouco incoerente com esse fato. Mas talvez algum profissional da mente possa explicar isso melhor.

Espelho da sociedade

De fato, a proposta do livro é mostrar que os reflexos da nossa sociedade já se apresentam nos primeiros anos da nossa vida. Isso ficou bem claro. Ainda assim, algumas partes se mostraram inconsistentes.

Muitas atitudes dos meninos pareciam de adultos.

E eu sei, talvez não haja nada de errado nisso. Porém, muita coisa pareceu forçada, possivelmente na intenção de ilustrar o propósito do autor.

Mais uma semelhança com a sociedade

Mesmo tendo o seu lado negativo em ascensão desde o início do livro, podemos perceber também outros traços da sociedade adulta nas crianças da história.

E um desses traços é a passividade, algo que define a maioria da população de qualquer país do mundo.

Na narrativa, enquanto alguns meninos tomam a frente em várias situações, a maioria simplesmente age como secundários, exatamente como acontece na nossa sociedade.

A maioria apenas segue a massa.

E essa impressão não foi nada difícil de causar. É o efeito secundário e natural. Em um grupo, dificilmente todas as pessoas serão protagonistas, e assim a nossa vida segue.


RESENHA: O Senhor das Moscas ─ Experiência de leitura

Eu demorei mais tempo lendo esse livro do que eu levaria caso ele não entrasse no meu conceito de entediante.

E isso não diz respeito unicamente à história.

Geralmente, quando estou lendo um livro minimamente bem escrito, eu leio muitas páginas por dia. No caso desse, isso não aconteceu. Eu sempre começava a ler e já nas primeiras páginas sentia tédio.

Como mencionado anteriormente, as descrições de ambiente não me ajudaram muito na hora de imaginar o cenário. E isso me causava frustração.

Esse é uma das piores sensações que um leitor pode sentir durante a leitura de um livro.

Não é a primeira vez que isso acontece. E posso usar aqui, como exemplo, o livro O Mágico de Oz, de L. Frank Baum. Nele, as descrições são excepcionais.

Tanto as descrições de cenário como as descrições de personagens.

Mas continuemos.

Sobre a escrita

Não podemos negar que William Golding é um bom escritor. Apesar de eu não ter tido uma experiência memorável com O Senhor das Moscas, é nítido que o autor possui habilidade com a escrita.

Podemos perceber isso ao observar o seu propósito com o livro.

Ao meu ver, e apesar das minhas discordâncias, Golding conseguiu externalizar exatamente o que imaginava do livro. E isso demanda técnica e conhecimento de área.

Por mais que eu possua opiniões diferentes sobre a visão do autor, o fato é que ele conseguiu transmitir a sua ideia com completude.

Portanto, é válido mencionar que parte da minha insatisfação se refere a alguns conceitos do livro, e não à sua escrita em si, mesmo com toda a dificuldade que tive com as descrições de cenário.

De acordo com minha interpretação, as inconsistências do livro apenas divergem dos meus conceitos relacionados a cada ideia.

Sendo assim, o grande ponto aqui é que a maneira como eu enxergo o mundo fez com que eu tivesse essa experiência na leitura.

E ainda falando sobre a escrita do livro, tenho noção de que muitas pessoas o categorizam como formidável ─ e não há nada de errado nisso.

No entanto, essa foi a minha visão.

Considerações finais

Para finalizar, gostaria apenas de destacar alguns pontos:

  1. O livro não é ruim: o fato de eu ter tido essa experiência ─ aparentemente negativa ─, não significa que você também a terá.
  2. Você pode se apaixonar pelo livro. Isso é totalmente possível. A leitura é uma experiência muito particular. Por esse motivo, cada leitor terá a sua própria. E é válido tentar.
  3. O livro não é tão famoso à toa. É provável que exista alguma essência que eu não consegui captar, e que talvez você consiga.
  4. Outras resenhas podem descrever melhor a sua experiência de leitura. Como eu já disse, essa foi a minha visão, e a sua pode ser completamente diferente.

Enfim, essa foi a minha interpretação do livro. Qual foi a sua?

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