Morte na Mesopotâmia, por Agatha Christie

Morte na Mesopotâmia foi o primeiro livro que li de Agatha Christie, e também o primeiro do gênero. Foi um livro de leitura bastante fluída e agradável, com poucos pontos negativos. Ele é o tipo do livro que você lê vários capítulos sem cansar, e quando está  distante só consegue pensar em retomar a leitura. Ou seja, ele causa um efeito positivo que todo livro bom causa.

P.S.: Evite essa resenha caso ainda não tenha lido o livro.

Morte na Mesopotâmia

O começo do livro é super interessante e envolvente. Somos apresentados aos primeiros personagens e nos vemos interessados pela história logo na introdução. A linguagem usada me agradou muito, bem como os ricos detalhes dos personagens.
Um dos pontos negativos que pude observar antes da metade do livro é que a história demora um pouco para mostrar do que se trata. Logo nas primeiras páginas nós começamos a ser apresentados às histórias da Mrs. Leidner e não demoramos a perceber que ela será uma personagem principal no desenvolvimento do livro. Mas passamos um tempo nos perguntando “Sim, aí?”.

Quando a enfermeira Leatheram chega a Tell Yarimjah nós começamos a ficar cada vez mais curiosos para saber o que vai acontecer, e só a partir da página 72 que tomamos conhecimento do que a história se trata de fato.
Após o assassinado de Mrs. Leidner a história fica realmente empolgante e te prende bastante; você começa a criar suas teorias e se perguntar quem pode ter cometido o crime. É a partir daí que você fica preso de verdade ao livro.

Hercule Poirot

Eu achei simplesmente sensacional o personagem Hercule Poirot, e talvez ele seja uma das criações mais importantes e marcantes de Agatha Christie. Ele é um detetive bastante parecido e ao mesmo tempo diferente dos outros detetives que costumamos ver em livros e filmes. O fato de ele ser pequeno e gordo nos causa uma sensação de interrogação quando nos é apresentado, mas essa sensação logo desaparece. O seu comportamento é algo comum entre os personagens do gênero, mas isso não o deixa menos interessante.
No decorrer da história, Hercule Poirot me agradou bastante com todas as suas observações, comentários e perícia ─ gostei mesmo desse personagem.

Quando a enfermeira Leatheram passa a acompanhá-lo, eu achei que uma parceria surgiria daí, mas infelizmente não aconteceu.

Sobre os suspeitos

Logo após o acontecimento do crime  minha mente começou a trabalhar nas especulações sobre o possível assassino, e uma coisa que eu tinha quase certeza era que o culpado seria a última pessoa que poderíamos imaginar. Um dos primeiros que cogitei como assassino foi o Dr. Leidner, justamente por ele ser o marido da Mrs. Leidner, o que o tornava a pessoa menos provável a ter cometido o crime. No entanto, não demorei a descartá-lo e rapidamente passei a desconfiar de outros personagens.

A enfermeira Leatheram também não demorou a vir na minha cabeça como possível culpada, pois até então eu a enxergava como uma personagem totalmente fora da situação, e isso me fez considerá-la como a menina má ─ e me recordo de suspeitar dela até o último momento.

O desfecho

Pouco depois que Hercule Poirot chega a Tell Yarimjah, fala os possíveis desfechos do crime e apresenta a possibilidade de o primeiro marido de Mrs. Leidner estar disfarçado como membro da expedição, eu considerei bastante a hipótese, apenas excluindo o Dr. Leidner e as mulheres da lista dos suspeitos. Quando Poirot começa a contar toda sua conclusão, ligando a história e explicando os fatos, eu simplesmente fiquei tenso até o momento que ele revela que o Dr. Leidner é o asssassino. O discurso final de Poirot é simplesmente espetacular ─ e digo isso com todo entusiasmo possível.

No momento do desfecho, o Dr. Leidner era justamente uma das últimas pessoas que eu considerava como culpado, e isso foi fundamental. Fiquei surpreso e satisfeito com o final. A única coisa que eu gostaria que tivesse sido diferente foi a última fala do Dr. Leidner. Eu achei muito curta, queria que ele tivesse falado um pouco mais.

Para quem já leu os livros ou assistiu aos filmes Sherlock Holmes, o desfecho de Morte na Mesopotâmia é bastante semelhante e transmite a mesma sensação. além de nos deixar mais interessados por histórias semelhantes.

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Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.