Pra não dizer que não falei da estupidez ─ #ColunaAnônima

Nós estamos vivendo um período completamente enfadonho. E quando uso completamente, a intenção é destacar o adjetivo o máximo possível. Vocês entenderão por quê. E, antes de qualquer possível objeção, que fique claro que estou me referindo à sociedade como um todo. E nisso eu infelizmente estou incluso. Mas continuemos.

Estupidez

Nos dias atuais, nós respiramos os ares de uma época dominada pela ignorância e pelo relativismo. Absolutamente tudo que falamos, fazemos ou pensamos, pode ser compreendido de forma equivocada pelos nossos frívolos interlocutores. E tudo por pura estupidez dessas mesmas pessoas. Estupidez, sim. Interpretar algo de maneira equivocada pode ser o resultado de vários fatores internos e externos. Logo explicarei isso melhor.

Em um artigo até interessante aqui neste mesmo blog (este artigo), uma argumentação acerca do machismo é desenvolvida de maneira bastante didática. Caso deseje, você pode ler esse outro artigo antes de continuar neste aqui. Eu até recomendo que o faça, pois isso ajudará na minha contextualização. Nesse citado artigo, que envolve o machismo, você encontrará a seguinte pergunta: “Dizer que uma mulher dirigindo um táxi é estranho, seria machismo?”.

O que eu quero mostrar aqui é que o relativismo utilizado nesse caso do machismo é exatamente o mesmo que encontramos em outras causas. Porém, nesses outros casos, a incoerência existe em proporções muito maiores.

Associação indevida

Um exemplo claro disso acaba envolvendo os negros e o racismo. Nós, homens, costumamos elogiar as mulheres adicionando algum comentário com relação à aparência delas. E isso acontece principalmente quando estamos entre homens. Alguns desses comentários são: “Cara, olha que loirinha linda!”,”Essa japinha é muito gata!”, “Eu casaria fácil com essa branquinha!”, dentre outros. O homem que nunca fez ou nunca ouviu nenhum destes comentários, provavelmente nunca saiu de casa ou ainda não nasceu.

Tudo isso é extremamente comum no mundo masculino. E aposto que até aqui ninguém viu nada de estranho. No entanto, se entre esses comentários tivesse algo do tipo “Que neguinha linda“, com certeza diriam que o comentário era racista. E é aí que quero chegar.

Por que esse comentário seria racista ou preconceituoso? Se referir a cor da pele de alguém agora se tornou preconceito? E nos outros casos, onde a mesma coisa acontece? Japinha, loirinha, branquinha!? São apenas referências à aparência dessas mulheres. E agora, volto a usar a palavra do início do post: estupidez.

Sim, estupidez. Dizer que uma pessoa é racista apenas por usar a palavra neguinha seguida de um elogio, é estupidez. Se já fez isso, você já foi estúpido. Se continua fazendo, ainda é. Erro de interpretação, ignorância, burrice, alienação ou como preferir. Existem inúmeras formas de qualificar esse tipo de associação.

Via de duas mãos

Da mesma maneira que fazemos um comentário positivo, podemos também fazer um negativo. Portanto, no lugar de “neguinha linda”, poderia ser “neguinha feia”, e aí talvez você até parasse atrás das grades. Mas, e se você fizesse o mesmo comentário direcionado a uma “japinha feia”? Ou a uma “branquela horrorosa”? Continuaria sendo preconceituoso? Percebeu o problema da nossa sociedade?

O grande problema é que a maioria da população segue essa mesma linha de raciocínio estúpido. E quem paga a conta são as pessoas que justamente seguem o raciocínio contrário. Hoje tudo é homofobia, racismo, machismo, budismo, turismo. Estamos saturados. O pior de tudo é ver essas pessoas defendendo suas opiniões infundadas. Mas quem atua no papel do ridículo são elas, pelo menos.

Eu poderia resumir tudo que disse aqui em uma única frase: “Ninguém pensa mais!”. Simples assim. Uma pessoa que consegue pensar por si só, certamente não entraria nessa turma leviana de seres pueris.

E, para deixar claro, eu não tenho nenhum tipo de preconceito contra os negros. Meu pai é negro, minhas últimas namoradas eram negras, bem como minha atual. As mulheres negras são lindas, sim, e não vejo nenhuma diferença com relação às de outras cores ─ principalmente as azuis. Meus atores favoritos são negros, meu maior ídolo do rock era negro (Chuck Berry), uma das mentes mais brilhantes da atualidade é negra (Neil deGrasse Tyson) e por aí vai.

Muitas vezes, o preconceito está em você. Ou, pelo menos, na sua intenção vil de tentar parecer inteligente, querendo enxergar racismo onde não tem. Enfim, acho que isso é suficiente.

E para finalizar, peço-lhe apenas uma coisa: pense!

Compartilhe este artigo:

João A. tem trinta e quatro anos, é natural de Anonimópolis e atualmente reside em Rio Anônimo do Sul. É pai de um lindo garoto de sete anos de idade, o Anoniminho, e trabalha como Gerente de Anonimato. Nas horas vagas., gosta de jogar sinuca, nadar, escrever e assistir aos jogos do Anônimos Futebol Clube.