O Silmarillion, por J.R.R. Tolkien

O Silmarillion foi o livro que mais me impressionou desde que me considero um amante de fantasia, e não hesitaria em afirmar que é uma das maiores riquezas do gênero, apenas alcançado por outras obras excepcionais.

No livro, nós somos apresentados a uma quantidade incrível de detalhes e personagens, e a cada movimento da história nós criamos nossas afinidades, suposições, repulsas, frustrações e satisfações. Cada capítulo pode ser visto como um filme ─ e essa capacidade de escrever muito escrevendo pouco é algo que fica evidente no livro, pois achei que os capítulos não foram “extensos”. Na verdade, a impressão que temos no final de cada capítulo é de que acabamos de ler um livro inteiro.

Ainulindalë

O livro inicia com um mito de criação extremamente mágico, fascinante, o Ainulindalë, que apesar de ser o primeiro capítulo do livro, não tem nada de suave ─  o livro já começa tão intenso que seu primeiro capítulo é um dos mais sublimes. No Ainulindalë, Tolkien nos conta de forma magistral como surgiram os primeiros seres do seu brilhante universo, e as primeiras páginas já são suficientes para nos mostrar sua excelência e genialidade. O desenvolvimento da história é impecável, tendo seus capítulos mais e menos intensos, mas não desinteressantes.

História de amor

Além de toda a fantasia do livro, existe também espaço para uma das mais profundas e marcantes histórias de amor que pude ter conhecimento. Trata-se da história de Beren e Lúthien, que se passa em um dos capítulos por volta da metade do livro. Na história, nós vemos dois personagens que simplesmente fazem tudo do possível e impossível para estarem juntos; enfrentam qualquer obstáculo, desafiam qualquer força. Mas não vou dar muitos detalhes sobre a história pois não pretendo de maneira nenhuma afetar sua experiência ao ler este capítulo.

O que posso dizer é que foi a parte mais intensa do livro para mim, e não vou negar que me emocionou bastante ─ e  tenha certeza de que conseguiu me arrancar algumas lágrimas.

Certamente essa história de amor não comove a todos os leitores, porém, como pude observar em alguns sites e blogs, muitos tiveram a mesma experiência que descrevi.

O Senhor dos Anéis e O Hobbit

Para quem já leu ou assistiu O Senhor dos AnéisO Hobbit, O Silmarillion é simplesmente uma viagem estonteante, pois nos deparamos com a origem de tudo, absolutamente tudo. No livro, nós descobrimos quem é Aragorn, Lord Elrond, Galadriel e toda história por trás deles e de seus antepassados ─ além de muitos outros personagens. Descobrimos quem é de fato Gandalf e de onde ele veio, e também entendemos seu papel de grande importância desde os tempos anteriores aos dos livros mencionados; similarmente, tomamos conhecimento de como os Anéis de Poder foram criados, qual o propósito e quais foram os primeiros conflitos relacionados.

Em suma, O Silmarillion é o livro que vai preencher todas as lacunas que O Senhor dos Anéis e O Hobbit deixaram, além de ser um livro que vai te fazer viajar, sonhar, flutuar, se emocionar, se irritar e se frustrar.

Seja qual for a sensação mais presente durante sua aventura, aposto que essa será uma experiência única, inesquecível e extremamente prazerosa.

Na lû e-govaned vîn.

 

Créditos da imagem: Link

 

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Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.

  • Vanny Braga

    Eu sempre considerei este livro como uma bíblia. Porque acho que na verdae é o que ele é para o universo de Terra-Média. Se vivêssemos nela certamente o seria. Gosto muito mesmo dele livro!! É fantástico!

    • Justo, ele é tipo um Gênesis. Eu também gosto muito do livro e hoje e ele é um dos meus favoritos. Foi o primeiro que li do Tolkien e acredito que não poderia ter começado de forma melhor.

  • Raphael Souza de Melo

    Silmarillion está em terceiro na minha lista de livros a sem lidos após Os Pilares da Terra (Ken Follett) e Crime e Castigo de Dostoyevsky.