Nota de Repúdio ─ Violência #ColunaAnônima

Nós precisamos sentir. Quando sentimos, vivemos. Quando sentimos, nos tornamos humanos. As pessoas precisam sentir. Quando elas sentem, sua empatia se torna involuntária. Quando sentimos a dor do outro, nos sensibilizamos. Quando temos alguma noção do que o outro pode estar sentido, nos comovemos. Precisamos sentir: fazer sentir. Pessoas cruéis, assassinos, bandidos e todo tipo negativo de ser humano: eles precisam sentir o que eles causam. A dor de um tiro, a perda de um membro da família, uma facada, um soco: eles precisam sentir.

Com esse texto eu não quero incitar a violência, e sim, a justiça. Muitos bandidos passam anos presos, longe da sociedade. Muitos confirmam a redenção, afirmam ter se arrependido da barbárie que cometeram anteriormente. E, no entanto, quando se encontram livres das celas, dos altos muros e da segurança incessável, voltam a praticar seus tão estimados crimes. E com estimado eu não pretendo distanciar-me do significado da palavra. Estimado, sim. Bandidos têm o crime em alta estima. Seu prazer é perceber que seus pés pisam as terras além das linhas da lei, além das linhas do respeito e do amor ao próximo. Bandido não ama o próximo.

Dessa maneira, apenas seguindo a tão funcional e nítida lei do senso comum, dar-lhe-emos apenas o que lhes for de merecimento. Uma pessoa que mata pessoas e não sente remorso, apenas merece encontrar-se com outra pessoa que mata pessoas e não sente remorso. A dor nos torna humanos. Ou nos torna um projeto falho de um. Precisamos sentir. Eles precisam sentir. Quem mata merece morrer, e nada mais. Tirar a vida de uma pessoa deveria ser o crime mais abominável, e que acarretaria na mais terrível pena. No entanto, tudo isso é visto hoje como apenas mais um crime. Assassinos confessam publicamente que sentem prazer em matar, e que voltará a fazê-lo assim que voltar à liberdade. E de fato voltam e fazem. As autoridades, mesmo sabendo de todos esses fatos, nada fazem para mudá-los.

Eu sigo o raciocínio de que todas as pessoas são responsáveis pelos seus atos, e devem receber o retorno por suas ações. Seja esse retorno positivo ou negativo. O que me deixa realmente inquieto é o fato de esse assunto ser tão presente em todos os cantos do nosso país e, ainda assim, tudo continua caminhando com os mesmos calçados.

Policiais são indiciados e presos por matarem bandidos. Bandidos são soltos após matarem policiais. Será que é realmente difícil corrigir todos esses problemas ou tudo isso tem um benefício econômico desconhecido para a maioria? Seja como for, esse assunto está saturado. Ninguém mais quer falar sobre isso. Todos os argumentos foram utilizados. Todos os tipos de crime já aconteceram. Todos os tipos de pessoas já morreram. E, no entanto, tudo parece ser um ciclo infinito. O que cabe a nós? O que nós, como população, podemos fazer? Será que escrever artigos na internet ajuda em algo? Gravar vídeos ilustrando a posição de não conformação funcionará de alguma maneira?

Bom, pode não resolver, pode não por um ponto final no assunto, mas, pelo menos, contribui para deixar o assunto presente na superfície das discussões e na memória de fácil acesso de todos.

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João A. tem trinta e quatro anos, é natural de Anonimópolis e atualmente reside em Rio Anônimo do Sul. É pai de um lindo garoto de sete anos de idade, o Anoniminho, e trabalha como Gerente de Anonimato. Nas horas vagas., gosta de jogar sinuca, nadar, escrever e assistir aos jogos do Anônimos Futebol Clube.