Ensaios

Manchetismo

A demanda pela aplicação da palavra alienação nunca foi tão gritante como se mostra atualmente. Se tivéssemos que escolher uma palavra para definir a minha geração e a seguinte, alienação subiria ao lugar mais alto do pódio. De modo a deixar mais explícita a contextualização, incorporando seu significado no texto, acrescento que essas duas são as gerações dos indivíduos que sofrem com a diminuição da capacidade de pensar e agir por si próprio.

Necessitei iniciar este artigo citando a alienação pois ela cumprirá o papel das pernas que sustentará o corpo do argumento que apresentarei aqui. Começando pela palavra título ─ manchetismo ─, que é intuitiva. De todo modo, explicarei como a interpreto.

Manchetismo e alienação

Manchetismo é, a meu ver, o processo de desenvolvimento ou concebimento de ideias como consequência da leitura de manchetes. Tendo a sua ligação primária com o sensacionalismo, o manchetismo se tornou um método de condicionamento tão eficaz que produz resultado até mesmo involuntariamente. Tudo por conta da presença cada vez mais constante da palavrinha tema das duas gerações mencionadas. Em outras palavras, a alienação, atualmente, faz com que as pessoas reforcem suas ideias e até mesmo as criem logo após a leitura de uma manchete. E que fique claro que é com a leitura exclusivamente das manchetes, e não dos artigos que as acompanham.

A presença dessa tendência tem como resultado a criação dessa nova casta de pessoas irrelevantes, com opiniões e posturas inconsistentes.

O manchetismo na política

A política é o âmbito onde o manchetismo está mais arraigado. Exemplos não nos faltam. Basta considerarmos os últimos acontecimentos nacionais. Como, por exemplo, os alunos que ocuparam escolas em protesto contra a PEC 241, sem nem mesmo saberem qual era a proposta. Com isso eu não quero dizer que as pessoas que protestaram estão erradas. Quem protestou sem saber o que estava fazendo — apenas seguindo a opinião de amigos ou aderindo ao manchetismo —, agiu de forma inconsequente e alienada. Todavia, se antes de protestar você leu sobre o assunto e em decorrência entrou em desacordo, parabéns. Pelo menos você sabe contra o que você está lutando.

Seguimento

Depois de apresentar e ilustrar esse pensamento, acredito que as associações caibam ao leitor. Sempre observei muito todas as suas aplicações mas nunca tive vontade de escrever sobre. No entanto, nos últimos dias, meu lápis decidiu dar corda a esse tipo de assunto. Devo admitir que escrever sobre pessoas não é uma tarefa que me agrada muito, mas não podia perder a chance de registrar tal analogia.

Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 27 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.