Luiz Gama: o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luíza Mahin. De Mouzar Benedito

Não imaginei que um livro tão pequeno ─ em tamanho físico e total de páginas ─ fosse se mostrar tão interessante. O livro conta a história de Luiz Gama, uma das figuras mais importantes na luta contra a escravidão no Brasil.
Na narrativa, o autor nos apresenta vários fatos que ilustram a relevância de Luiz Gama em sua constante batalha, e também nos trás informações de como era o nosso país na época em questão.

O livro não tem muitas páginas e é pequeno. No entanto, esses pontos não diminuem sua grandeza. Escrito de maneira bem sucinta, o livro nos transporta para o Brasil de outrora, com a sua aprazível linguagem.

Tendo a Bahia como ponto de partida, durante a leitura nós embarcamos em uma viagem ao século XIX, e somos reapresentados a figuras importantes da história geral brasileira, como Rui Barbosa e Carlos Drummond de Andrade.

Como o livro trata-se de uma biografia, comentar sobre Luiz Gama apenas não seria necessariamente uma resenha, e sim uma crítica a uma personalidade. Portanto, destacarei alguns pontos marcantes e citarei alguns trechos, de forma que você possa analisar as passagens e se familiarizar com a narrativa.

Pontos marcantes do livro

Acontecimento inédito na cidade de São Paulo

No início do livro nós vemos como se deu o acontecimento da morte de Luiz Gama, no dia 25 de Agosto de 1882. Um evento que mobilizou a cidade de São Paulo e foi algo inédito na história brasileira.

Uma multidão tomava conta das ruas do centro da cidade. Negros, muitos negros. E brancos, muitos brancos. Pobres, na grande maioria, mas também ricos. Ex-escravos e senhores de escravos. E escritores, poetas, políticos, autoridades, uma mistura rara de se ver. Era um enterro!

Vendido pelo Pai

Luiz Gama foi vendido pelo próprio pai, aparentemente no ano de 1840, por causa de uma dívida de jogo. E no livro tomamos conhecimento de como se passou e o que sucedeu.

Luiz teria sido levado pelo pai para dentro de um patacho, um tipo de embarcação antiga, de dois mastros. Chamava-se “Saraiva” o tal patacho, fundeado nos verdes mares baianos. Quando percebeu, havia sido deixado lá, o pai voltara para terra. Ele havia sido vendido como escravo.

Comprando Liberdades

Uma das atividades mais importantes de Luiz Gama era a compra da alforria de escravos. Essa foi, a meu ver, uma de suas mais nobres atitudes. Pois ele continuava muito pobre, pelo fato de que, durante determinado período, o principal destino de seu dinheiro era justamente essa atividade. E no livro você poderá entender como funcionava toda a lógica por trás dessa prática, e também as complicações relacionadas.

Luiz Gama por ele mesmo

No final do livro nós encontraremos a carta que o próprio Luiz Gama escreveu para o advogado, jornalista, magistrado e escritor brasileiro Lúcio de Mendonça, que lhe pediu informações para publicar sua biografia no Almanaque Literário de 1881.
A carta é um resumo de toda a trajetória de Luiz Gama, onde ele explica de forma rápida tudo que vivera até o momento, mas deixa alguns pontos em aberto. Contudo, a carta também nos mostra toda sua inteligência, sabedoria e domínio de idioma, ilustrando ainda mais a sua imagem como grande figura brasileira.

Esses são alguns dos pontos importantes que escolhi para apresentar aqui, e espero que com eles você tenha se interessado pelo livro.

Sem dúvida, este é um livro que recomendo para todas as pessoas que se interessam pela história do Brasil, e também para aqueles que procuram conhecimento com relação ao período da escravidão no nosso país.

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Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.

  • Raphael Souza de Melo

    Luiz Gama, esse sim um advogado de respeito. Esses dias eu li um texto fantástico sobre ele e sobre como o cara já lutava contra os absurdos e os desmandos contidos nas decisões do Estado e de seus agentes (coisa bastante antiga aqui em Terra Brasilis), mas que é um tema ainda bastante recorrente.