FGTS: benefício que faz os trabalhadores perderem dinheiro

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço(FGTS) é um benefício trabalhista que existe no Brasil desde 01 de Janeiro de 1967. Todo trabalhador brasileiro tem direito ao serviço. Quando você é admitido por uma empresa e inicia um vinculo contratual, uma conta deve ser aberta em seu nome na Caixa Econômica Federal. A partir daí, o seu empregador é obrigado a depositar mensalmente uma quantia equivalente a 8% do seu salário bruto. Pode parecer que esse dinheiro sai apenas do bolso do empregador, mas na verdade sai do seu também. O empregador calcula esse valor previamente, antes de definir o seu salário ─ sem contar os outros impostos relacionados ─ e, obviamente, isso diminui o seu salário final.

Além disso, você só poderá mexer nessa conta em alguns casos especiais. Segundo o site do próprio governo “Com o FGTS, o trabalhador tem a oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser sacado em momentos especiais, como o da aquisição da casa própria ou da aposentadoria e em situações de dificuldades, que podem ocorrer com a demissão sem justa causa ou em caso de algumas doenças graves.” Ou seja, esse dinheiro é seu mas você não pode movimentá-lo sem antes se encontrar em alguma das situações definidas pelo governo.

Pode parecer ótima, a ideia de comprar sua casa própria utilizando o FGTS, ou utilizá-lo em momento de doença e desemprego. Mas o valor que você possuirá será muito inferior ao que você deveria possuir.

FGTS e Inflação

Vamos agora ao ponto mais importante disso tudo. Como eu já disse, o valor depositado por mês na conta do trabalhador é equivalente a 8% de seu salário; o FGTS possui uma correção anual de 3%; a inflação atualmente está em 9,5% ao ano (07/2016). Com apenas esses três números, qualquer pessoa com uma noção básica de economia pode perceber a grande furada que é esse sistema, mas continuemos.

Imagine a inflação como a taxa de correção da nossa moeda, e também como o fator que tem influencia direta no seu poder aquisitivo. Vamos imaginar também que essa taxa continue estável até o próximo ano. Sendo assim, se hoje você possui um total de R$1000,00 investido em algum negócio que tenha uma correção próxima ou semelhante à inflação, o poder aquisitivo dessa quantia será de R$1095,00 exatamente daqui a um ano. Porém, se você possui atualmente R$1000 no seu fundo de garantia, o poder aquisitivo da mesma quantia será de aproximadamente R$1030,00 no mesmo período. Ou seja, utilizando-se do FGTS, o governo fica com pelo menos 6,5% de seu dinheiro para fazer o que bem entender.

Poder aquisitivo

Para entender melhor o que significa poder aquisitivo e suas implicações, basta analisarmos o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve uma variação de 435,49% desde 1994. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, quem possuía R$100,00 em 1994 e deixou esse dinheiro parado, sem investir, hoje teria o poder aquisitivo de R$18,67. Seguindo esses valores, um produto que custava em média R$1,00 naquela época, hoje custaria cerca de R$4,35.

Em termos inversos, se esse mesmo valor ─ de R$100,00 ─ tivesse sido aplicado e seguisse a oscilação inflacionária, nos dias atuais ele valeria algo em torno de R$435,00.
Com isso já dá pra ter uma boa noção do que pode acontecer com o dinheiro que fica parado no FGTS, apenas recebendo uma mínima correção de 3% ao ano.

Defensores da causa

Muitas pessoas ainda alegam que o FGTS é um fundo que garante segurança ao trabalhador, principalmente em um período de dificuldade, quando o trabalhador se encontra desempregado ou contrai alguma doença. A ideia parece ótima: ter uma reserva à qual poderemos recorrer em um momento de necessidade. Mas esse conceito ofusca o verdadeiro significado por trás disso tudo.

Apenas considere a possibilidade desse dinheiro ser investido em algum outro setor, com uma rentabilidade mais justa, como o Tesouro Direto, ou se pelo menos você tivesse autonomia para escolher como ele deveria ser aplicado. Isso lhe renderia, no mínimo, um valor corrigido, e você não perderia dinheiro algum ─ e eu não preciso repetir que a correção anual do FGTS é inferior à inflação, o que direta e indiretamente faz o trabalhador perder dinheiro.

Mas a verdade é que pouco dinheiro é melhor que nenhum, e isso já é mais que suficiente para o empregado que não tem muito conhecimento sobre o assunto.
No entanto, atualmente existem várias ações judicias abertas por trabalhadores, exigindo uma melhor taxa de correção do fundo de garantia, e isso sustenta a afirmação de que o benefício não é tão positivo quanto parece.

Os direitos trabalhistas é um assunto bastante presente nos livros de economia, e é motivo de muitas discussões entre os maiores especialistas no assunto.

Se você deseja saber  um pouco mais sobre os direitos trabalhistas e a economia brasileira em geral, sugiro que você leia o livro Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira, do jornalista e escritor brasileiro Leandro Narloch.

Fontes: Uol, O Estado de São Paulo, CaixaGuia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira.

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Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.

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