A irrelevância dos mentirosos ─ A moral e o peso da verdade

Qual o peso de uma verdade? E o impacto de uma mentira? Somos habituados a contar pequenas mentiras no nosso dia a dia. Mentiras que talvez não tenham nenhum efeito negativo em nenhum aspecto. Além dessas, da mesma forma costumamos contar algumas mais elaboradas, de modo a conseguir atingir algum objetivo que dificilmente atingiríamos caso contássemos a verdade. E essas situações estão presentes na nossa vida com mais intensidade do que imaginamos.

Quando contamos uma mentira, nós obviamente sabemos que estamos mentindo. Porém, as outras pessoas, não. E a sensação que sentimos após isso é o que determina nosso caráter. Pessoas que estão habituadas a mentir, e não veem nenhum problema nisso, não sentem nenhuma sensação negativa após fazerem. Pelo contrário: elas podem até sentir um certo prazer, ao mentirem, principalmente se conseguirem uma reação positiva de seu interlocutor ─ ex: pessoas que mentem para agradar outras ou se sentirem como parte de determinado grupo.

Por outro lado, existem as pessoas que não se sentem bem após contarem uma mentira, e evitam ao máximo fazê-lo. Pessoas com esse traço de personalidade também tendem a sentir prazer, porém, desta vez, ao contarem a verdade. Entretanto, na maioria dos casos, é algo interno, não perceptível para quem está de fora. Por esse motivo, essas pessoas sempre optarão por contar a verdade, pois é o que lhes causa prazer.

Agora, imaginemos uma terceira pessoa, que sente a mesma coisa após contar uma mentira ou uma verdade. Para esta pessoa, tanto uma como a outra possui a mesma magnitude, e ela sempre optará pelo que lhe for mais conveniente. Levando em conta esse terceiro cenário, qual seria a relevância de contar uma verdade? Eu lhe respondo: absolutamente nenhuma. Se para uma pessoa, o valor de uma mentira é o mesmo que o de uma verdade, então ela atribui às essas duas o mesmo peso. A partir daí nós ativamos o caminho que nos leva à discussão moral.

Moral

O peso atribuído a uma verdade ou a uma mentira é sempre definindo pela moral da pessoa que julga. A moral está diretamente ligada à personalidade. Pessoas com altos valores morais ─ não necessariamente baseados no senso comum ─, tendem a enxergar uma verdade como algo de demasiado peso positivo. Coerentemente, o inverso acontece no caso de uma mentira. Para pessoas com esse tipo de personalidade, mentir é a última das opções. Da mesma maneira, falar a verdade é sempre o caminho preferível a ser seguido.

Voltando agora para as pessoas que mentem, qual seria o fator que definiria o caminho a ser seguido se, para elas, tanto uma como a outra possui o mesmo peso? A verdade é que nunca saberíamos de fato. Elas simplesmente seguirão os caminhos abertos pelos ventos. Se, em uma conversa em grupo, elas sentirem que precisam contar uma história semelhante a alguma que foi contada anteriormente, para se sentirem como membros do grupo, elas contarão, seja essa história verdadeira ou não. 

Para sair dessa pequena digressão, vale uma pergunta: qual a relevância, então, de tudo que essas pessoas dizem?

Mentira tem pernas curtas

Uma pessoa que mente da mesma forma que fala a verdade, em algum momento, será descoberta. E, após ser descoberta, tudo que ela disser passará a ser recebido com ceticismo. E o fator que agrava esse cenário é que dificilmente elas percebem que foram descobertas, e que outras pessoas podem não mais dar crédito às suas falas. Acredite, isso acontece com muita frequência. O mais triste de tudo isso é o fato de que essas pessoas terão que conviver consigo mesmas até os últimos de seus dias. Em qual lado dessa ambientação você está? 

Eu conheço muitas pessoas que possuem esse traço de personalidade, que transforma a mentira em algo neutro. E posso afirmar que é vergonhoso. Para mim, tudo que essas pessoas dizem é questionável. E, em cem porcento dos casos, são pessoas nada interessantes ─ ao menos para mim. E aí voltamos outra vez para a questão moral. Para pessoas que atribuem alto valor para uma verdade, as outras, que mentem sem nenhum tipo de ressentimento, geralmente são vistas como irrelevantes. Porém, para essas que mentem, seus companheiros de grupo talvez até tenham alguma importância.

Se você leu até aqui, as chances são grandes de você não estar do lado dos mentirosos de carteirinha. Isso porque, a verdade, em alguns casos, não é nada cortês. E, se uma pessoa que mente começa a ler um texto que descreve exatamente a sua forma de agir, apresentado aquilo como algo negativo, ela dificilmente irá até o final.

Natural de Salvador, Manlei Santeoni tem 25 anos de idade, é apaixonado por literatura, filosofia e uma boa música. Escreve para a internet há alguns anos e é aficionado por cadernos ─ onde a maioria de seus textos é iniciada. Junto com sua paixão pela música e pela natureza, Santeoni também é contador de histórias, e seu primeiro livro a ser publicado já está em produção. Adicionada a tudo isso está a sua alta estima pela Língua Portuguesa ─ principalmente quando bem falada e bem escrita.

Site Footer